“Paulo, servo de Cristo…Romanos 1.1”. Assim começava a primeira aula de Romanos. Aquele professor, com uma doença pouco conhecida, lia bravamente as palavras da carta aos Romanos enquanto nos pedia para virar a próxima página da sua bíblia. O que seria uma aula com conhecimentos de história da igreja, grego, exegese, homilética, se tornou em um culto a Cristo, em arrependimento, confissão de pecados e rendição à graça de Deus. Não pouco comum, estávamos aos prantos, perplexos por tamanho amor, enquanto um jovem senhor, careca, nos dizia – calmamente – as boas notícias que alguns de nós tardaram anos para escutá-las, e ouvi-las dele pareciam tão doces como no primeiro dia em que as escutei.
Cada quarta-feira era uma nova espera, aguardávamos pelo professor Mauro, com o coração aberto para aprender a Verdade que nos transformava de aspirantes a teólogos a discípulos de Jesus. Ao fim de cada classe, havia fila para conversar com o professor. Entre os corredores, com alunos de outros cursos e períodos, perguntávamos “já teve aula com o professor Mauro”? E quaisquer que já tivessem tido respondiam com um largo sorriso, como de quem teve a alma tocada.
Professor Mauro, demasiadamente inteligente, e assombrosamente humilde. Para os temas complexos, discursava sempre com mansidão, guiando-nos às habilidades para interpretar o texto. Um homem que amava os seus amigos, demais professores e o serviço pastoral. Pastor Mauro veio com um bônus para nós: a alegria de conhecer a sua esposa, e as suas filhas, a quem sempre agradecia pelo auxílio que davam em fazer os slides, dentre tantas tarefas, para que tivéssemos as aulas.
Pessoalmente, essa família me marcou de uma maneira que não tenho palavras para descrever. Foram nossos apoiadores quando o medo do ministério nos tocou, conselheiros ao nosso jovem casamento. As caronas, hospitalidade e amizade tocaram nossas vidas e dos nossos filhos, e isso é algo que não podemos nos esquecer jamais. Por onde formos, seja na Argentina ou em qualquer outro lugar, no que fizermos, sua vida estará aí porque somos fruto desse serviço ao Senhor, e sei que será assim com meus amigos de turma também. Seu legado estará em muitos púlpitos desse Brasil afora, e o nome de Cristo será exaltado.
Por fim, as lágrimas dão lugar ao cântico de gratidão. Na eternidade nos encontraremos.
Mauro, servo de Cristo.
Por Brunna Freire
Ex-aluna do STBN, missionária na Argentina
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